Os invisíveis do Reino

Há uma curiosidade interessante sobre os encontros cristãos leigos.
Quando eles terminam, todo mundo costuma falar dos encontristas, seguimistas e faquistas.

Fala-se dos jovens que voltaram diferentes. Dos casais que redescobriram o amor.
Das lágrimas derramadas. Dos abraços. Dos testemunhos. Das conversões.
Dos reencontros com Deus.

E está certo! Tudo isso merece mesmo ser celebrado.

Mas existe uma categoria de pessoas que raramente aparece nos reconhecimentos finais. São os invisíveis do Reino.
São aqueles que começaram a trabalhar quando ninguém ainda sabia que o encontro existiria. Os que participaram das primeiras reuniões. Os que reservaram locais. Os que levantaram recursos. Os que carregaram mesas. Os que imprimiram apostilas, quadrantes e fichas. Os que prepararam refeições.
Os que fizeram escalas. Os que limparam banheiros.

Os que rezaram em silêncio pelos participantes que sequer conheciam.
Os que abriram mão de fins de semana, de descanso, de lazer e até de tempo com a própria família para que outras famílias fossem alcançadas.

Curiosamente, eles quase nunca aparecem nos relatos mais emocionantes.
Porque a sua missão não é aparecer. É servir!
E talvez seja justamente por isso que sua presença seja tão parecida com a de Deus.

Antigamente, quando eu e a Cida trabalhávamos nesses encontros – e de certo modo ainda trabalhamos, agora mais pela reflexão, pela oração e pela experiência acumulada – aprendemos uma lição que nunca esquecemos.

O encontro não começa quando o primeiro participante chega. Ele começa muito antes.
Começa quando alguém aceita servir.
Começa quando alguém diz: – Eu posso ajudar.
Começa quando alguém responde: – Conte comigo.

Começa quando alguém troca o conforto pelo compromisso.
O anonimato pela missão.
O descanso pelo amor.

Eis que muita coisa mudou ao longo dos anos.
Mudaram as músicas. Mudaram as dinâmicas. Mudaram as tecnologias.
Mudaram as linguagens. Mudaram até as gerações.
Mas há algo que continua exatamente igual.

A ação silenciosa daqueles que trabalham para que outros encontrem Deus.

Talvez seja por isso que esses encontros nunca envelheçam.
Porque sua matéria-prima não é feita de métodos.
É feita de pessoas.
Pessoas que acreditam que vale a pena gastar a própria vida para que alguém descubra que é amado por Deus.

E, sinceramente?

Poucas coisas são mais bonitas do que isso.

Ao final de um FAC, de um SEGUE-ME, de um ECC ou de qualquer outro encontro cristão, os aplausos costumam ser dirigidos aos testemunhos, aos seguimistas, faquistas e encontristas.

Mas no coração de Deus eu suspeito que exista um agradecimento especial reservado aos invisíveis. Àqueles que ninguém percebeu.
Àqueles cujo nome quase ninguém lembrará.
Àqueles que não apareceram. Àqueles que apenas se doaram.
Àqueles que simplesmente serviram.

Porque são eles que mantêm acesa a chama.
São eles que fazem a ponte entre as gerações.
São eles que transformam uma simples programação de fim de semana numa experiência capaz de mudar uma vida inteira.

E quando um jovem retorna mais próximo de Cristo, quando um casal reencontra o sentido do seu matrimônio, quando uma família recupera a esperança, existe sempre uma multidão silenciosa por trás daquele milagre.

Homens e mulheres comuns. Casais. Jovens. Pais. Mães. Avós. Amigos.
Gente simples. Os invisíveis do Reino.

E talvez sejam justamente eles os mais parecidos com o Evangelho.

Mas há ainda uma alegria que talvez só os trabalhadores mais antigos consigam compreender plenamente:
Depois de muitos anos carregando caixas, preparando encontros, organizando equipes, rezando pelos encontristas e servindo nos bastidores, chega um dia em que olhamos ao redor e percebemos algo extraordinário.
Aqueles jovens que um dia chegaram tímidos, inseguros ou curiosos aos encontros agora estão nas equipes.
Alguns tornaram-se coordenadores.
Outros são pregadores, músicos, servos, intercessores ou responsáveis por novos grupos.

E, em muitos casos, são os nossos próprios filhos, filhas, genros, noras, netos e netas daqueles primeiros trabalhadores que agora assumem a missão.

Há algo profundamente emocionante nisso.
Não porque estejam repetindo o passado, mas porque estão escrevendo sua própria história de fé.

Os métodos mudam, as músicas mudam, as linguagens mudam, mas a chama permanece acesa.
E quando vemos uma nova geração servindo com alegria, percebemos que Deus continua conduzindo sua obra muito além de nós.

Talvez este seja um dos maiores presentes que um trabalhador do Reino pode receber: descobrir que aquilo que um dia ofereceu com esforço e amor não terminou em si mesmo, mas continua florescendo em outros corações.

Aliás, para alguém como eu e a Cida, que veem filhos, genros, netos, jovens da comunidade e novas lideranças assumindo espaços na Basílica, no ECC, no SEGUE-ME e em tantos outros serviços, esse talvez seja um dos sinais mais concretos de que o trabalho não foi em vão.

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