QUANDO A ARQUIBSNCADA ENSINA

QUANDO A ARQUIBANCADA ENSINA

 

Era mais que um jogo.

Era domingo com cheiro de festa,

crianças de olhos grandes, avós de memória cheia,

famílias inteiras vestindo preto e branco ou vermelho e preto,

como quem veste esperança.

 

No Mané, a bola ainda dormia, mas o povo já acordara.

Bandeiras dançavam no vento, confetes caiam como bênção,

e o Hino Nacional ganhou corpo, coro e chão.

 

Tentaram gritar mais alto do outro lado,

mas a resposta veio em uníssono: Timão, ê, ô! Timão, ê, ô!

E quando o povo canta junto, não há eco que resista.

 

Ali, o futebol lembrava o que às vezes esquecemos fora dali:

quem dá o tom é a arquibancada, não o camarote.

 

O jogo seguiu tenso – como a vida.

Houve dúvida, VAR, expulsão, suspiro preso no peito.

Mas ninguém virou a mesa.

 

A regra foi a regra. A decisão, difícil, mas aceita.

E o placar falou sem gritar: dois a zero.

Justo. Limpo. Disputado.

 

No fim, o hino subiu mais alto que qualquer vaidade.

Os jogadores cantaram com o povo, o povo cantou por si mesmo,

e até o adversário entendeu: perder também faz parte do jogo.

 

Talvez por isso o futebol, às vezes, ensine mais que discursos.

Mostre que autoridade se constrói, não se impõe.

Que justiça precisa ser vista, não apenas declarada.

E que nenhuma instituição se sustenta

se virar as costas para quem está na arquibancada.

 

Naquela tarde, entre um pó-ró-pó-pó-pó-pó e um abraço apertado,

aprendemos de novo: quando o povo participa,

quando a regra vale para todos, quando a vitória é limpa,

a festa é de todos.

 

E o Brasil – por noventa minutos – funcionou.

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